Simples Nacional: qual impacto sua empresa terá em 2027 com a reforma tributária?
A Reforma Tributária já começou a mudar a forma como empresários enxergam preços, margens e competitividade. E uma das dúvidas mais frequentes entre empresários é:
“Minha empresa é do Simples Nacional. O que muda para mim em 2027?”
A resposta curta é: a tributação do Simples Nacional, em princípio, continuará igual.
Mas isso não significa que sua empresa ficará sem impactos.
Na prática, a grande mudança estará na forma como seus clientes aproveitarão créditos tributários — e isso pode afetar diretamente suas negociações comerciais, margens e competitividade no mercado.
O que muda em 2027?
A partir de 2027, o PIS e a COFINS serão substituídos pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), novo tributo criado pela Reforma Tributária.
Hoje, empresas do Simples Nacional já recolhem PIS e COFINS dentro da guia única do Simples. Porém, existe um detalhe importante:
Quando uma empresa do Simples vende para uma empresa do Lucro Real, ela gera para o cliente um crédito presumido de 9,25% de PIS/COFINS.
Com a CBS, isso muda completamente.
O novo sistema permitirá crédito apenas sobre o tributo efetivamente pago pelo fornecedor. Ou seja:
- hoje o cliente aproveita crédito “cheio”;
- em 2027, ele aproveitará apenas a parcela da CBS efetivamente embutida no Simples Nacional.
E é justamente aí que começam os impactos comerciais.
Como funciona hoje?
Vamos a um exemplo prático.
Imagine uma indústria optante pelo Simples Nacional tributada no Anexo II da LC 123/2006.
Suponha que essa empresa pague:
- 12,3% de Simples Nacional
Dentro dessa alíquota, aproximadamente:
- 1,72% corresponde ao PIS/COFINS
Mesmo pagando apenas essa parcela, atualmente ela gera para clientes do Lucro Real um crédito de:
- 9,25%
Ou seja, o cliente consegue recuperar muito mais crédito do que o tributo efetivamente recolhido pela empresa do Simples.
O que acontecerá com a CBS?
Com a entrada da CBS, a lógica muda.
O cliente passará a aproveitar crédito apenas sobre o valor efetivamente recolhido dentro do Simples.
No exemplo acima:
- hoje o crédito é de 9,25%;
- em 2027, o crédito poderá cair para aproximadamente 1,72%.
Na prática, isso representa um aumento indireto de custo para o cliente de quase:
- 8%
E esse impacto certamente entrará nas negociações comerciais.
Como isso pode afetar empresas do Simples?
Empresas que vendem para:
- indústrias;
- distribuidores;
- atacadistas;
- grandes empresas do Lucro Real ou Presumido;
podem sofrer maior pressão por:
- redução de preços;
- renegociação contratual;
- perda de competitividade;
- revisão de margens.
Isso porque o cliente passará a comparar fornecedores também pelo potencial de crédito tributário gerado.
Existe alternativa?
Sim.
A Reforma prevê a possibilidade de a empresa do Simples recolher a CBS “por fora” do regime simplificado.
Nesse modelo, a empresa poderá:
- gerar créditos integrais;
- fazer confronto entre débito e crédito;
- aumentar a atratividade comercial para determinados clientes.
Porém, essa decisão exige muito cuidado.
Será necessário analisar:
- margem de lucro;
- perfil dos clientes;
- setor de atuação;
- formação de preço;
- impacto concorrencial;
- capacidade financeira;
- aumento de carga tributária;
- efeitos inflacionários da reforma.
Em muitos casos, permanecer no Simples pode continuar sendo vantajoso. Em outros, talvez não.
O que sua empresa deve fazer agora?
2026 e 2027 serão anos de revisão estratégica.
Empresas precisarão reavaliar:
- estrutura tributária;
- política comercial;
- contratos;
- precificação;
- cadeia de fornecedores;
- modelo societário;
- posicionamento competitivo.
A reforma tributária não será apenas uma mudança fiscal. Ela terá impacto direto em:
- negociação;
- lucratividade;
- competitividade;
- fluxo de caixa;
- estratégia empresarial.
Quem começar a analisar agora terá vantagem.
Conclusão
Embora o Simples Nacional permaneça, a dinâmica de créditos tributários mudará significativamente com a chegada da CBS.
E isso pode afetar diretamente empresas que vendem para clientes do Lucro Real e do Lucro Presumido.
Mais do que nunca, será essencial realizar simulações, revisar preços e entender como a reforma impactará seu mercado específico.
A reforma tributária exigirá planejamento e as empresas que se anteciparem provavelmente estarão mais preparadas para manter competitividade e rentabilidade nos próximos anos.
